
Gosto de traçar planos. Ter metas é sempre uma maneira coerente de preencher o tempo, o cérebro, canalizando as atitudes e os pensamentos.
Mas o que me atrapalha é a forma como eu coloco em prática as coisas que eu planejo.
Tem vezes que fico instigada a fazer tudo na mesma hora, mas na maioria das vezes, eu tenho a idéia, planejo, mas não tomo atitude... Fico remoendo, matutando, a maneira de fazer...
Passam horas, passam dias, passam meses às vezes... E de repente, num súbito incomum, como um estouro mágico, surge uma vontade inveterada daquilo.
Começa o fenômeno.
Sou tomada por uma força maior, insana, inconsciente, neste instante meus pensamentos e ações, planos e emoções estão, todos, voltados para um único foco.
E a coisa flui. Começo a colocar em prática toda a idéia, a intenção começa a criar proporção.
Eu tinha certeza que isso era um tipo de impulso, ou, nos meus mais insanos delírios, chamei de inspiração.
... Mas descobri que isso é paixão.
Tenho uma séria inclinação a fazer as coisas apaixonadamente. Valoriza o ato, o trabalho, o esforço. Meu e das outras pessoas.
Tenho prazer em desprender minha melhor emoção nas coisas que eu amo, naquilo que desperta a revoada das borboletas , seja educar as crianças, fazer um bolo para o café da manhã, uma peça de tricô, uma leitura, um comentário.
E nesses acessos de paixão, eu não conheço meio termo, eu amo, odeio, ou ignoro.
Quando eu digo ignoro, não me refiro ao fato de nunca ter ouvido falar, pois isso é impossível, eu vou me informar de tudo aquilo que eu desconheço, e no momento que me informei, isso de alguma forma, não somou nada, não me disse a que veio, não me cativou, não o suficiente para amar, ou odiar.
Ah, e por falar em ódio... Bom, o ódio aqui é absolutamente figurativo, dentro das minhas veementes emoções, o ódio nada mais é do que aquilo que se opões às coisas que eu amo.
Que são o meu foco, a minha melhor emoção eu estampo nelas. Sou fiel a elas. Todas.
Vivo pra isso. Projeto meu dia em torno disso.
Quando me deparo com algo que me cativa e nutre minha admiração algo extraordinário acontece...
Cada molécula infinitésima do meu ser é dominada, sofro uma simbiose com aquilo que me encantou, e um poder majoritário me engole, me absorve por inteira, tomando conta de todo o meu ser. E explode em mim a paixão.
Fenômeno esse, que eu espero, aguardo por ele para executar os meus planos, e isso atrapalha um pouco, já que em algumas coisas o fenômeno não acontece, não rola, e a coisa não vinga, meu plano não segue adiante.
Acontece muito dessa explosão com a leitura, por exemplo. Gosto de ser engolfada pela essência do enredo, da abordagem, eu gosto de ter prazer em ler.
Não posso dizer aqui que tudo o que eu prezo é o que há de melhor, mas posso afirmar, sem sombra de dúvida, que essas coisas que fazem minha paixão florescer, que me arrebatam, essas coisas, elas tem um valor, que deve ser considerado, pois não é todo dia, que nos sentimos assim, não é todo o dia que eu me sinto assim...
Esse post, por exemplo, ele foi escrito no caderno num momento de paixão desenfreada, que com o tempo, eu aprendi a não reprimir.
Gostaria muito que no mundo as pessoas fizessem as coisas apaixonadamente, sofressem o arrebatamento nos seus atos, inclusive os mais chatos, como pra mim é lavar a louça, posso pensar na satisfação que terei, ao ver o escorredor de louça cheio e a pia vazia.
Desejo que todos sejam subjugados pela paixão. No Palácio da Alvorada, no Piratini, nos twts, nos posts, nos coments, nas relações.
E que eu mesma continue executando tudo no ímpeto insano e contínuo da paixão, pois neste instante, todos saberão que eu fiz o que a minha melhor emoção comandou!!
Se não ficar bom, foi a paixão que me cegou...
Há!
Mil Bjs,
Vivi
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